meu filho tem preguiça de estudar

Por que meu filho não gosta de estudar?

Por que meu filho não gosta de estudar? Essa pergunta é feita por muitos pais e, infelizmente, não tem uma resposta objetiva.

Durante a vida de qualquer pessoa surgem situações que exigem tomadas de decisões, sejam elas individuais ou coletivas. Geralmente, essas situações partem de uma vontade, um dever ou um consenso. Dificilmente, uma criança pede para estudar ou para ir a escola, essa nova prática, a de frequentar uma instituição escolar, é imposta pelos pais que por possuírem um compromisso legal  com a formação da criança precisam matriculá-la em um colégio da região. O problema é que à medida que essas decisões são tomadas de forma impessoal e distante da vontade, a responsabilidade e a participação são reduzidas à mera execução da tarefa, levando assim, no caso dos alunos, um desinteresse pela rotina acadêmica. 

Por que meu filho não gosta de estudar?

Uma visão psicológica

Estudos no campo da Psicologia afirmam que o envolvimento efetivo com alguma ação pressupõe assumir a responsabilidade por ela. Segundo essa linha de pensamento, uma experiência se torna significativa quando apresenta sentido prático ou afetivo do ponto de vista do sujeito da ação. 

Algo semelhante ocorre com a busca de significados que animam os/as estudantes na educação formal. Desde o início da vida escolar, a participação ativa e gradualmente responsável nos estudos, deveria incidir em significados úteis e afetivos, que vão acompanhá-los por toda a vida.

Em nossa sociedade, é comum pensarmos a aprendizagem a partir de determinadas classificações e méritos, não a partir do interesse de aprender e obter conhecimento. O indicador da qualidade educacional do Brasil corresponde a parâmetros de julgamento. No nosso sistema, julgar é avaliar, conferir valor, mas essas medições estão restritas aos recortes temporais e contextuais.

Na tentativa tardia de compreender uma situação dada e buscando causas do não aprendizado, quase no final do processo, não há tempo hábil de reestruturar o processo de aprendizagem. 

Vale lembrar que os valores (sistema de notas, por exemplo) utilizados no nosso sistema de ensino não abrangem todas as dimensões da aprendizagem. Por exemplo, o mesmo resultado que aprova ou reprova o aluno, não é capaz de fornecer dados sobre o ensino ou de demonstrar se o direito à cultura está sendo trabalhado no interior da escola. 

O sistema educacional

Ao refletir sobre o sistema educacional brasileiro, Paro (2001) explica que diversas decisões são tomadas por diferentes pessoas envolvidas no processo de aprendizagem, mas apenas uma delas é destacada: o/a estudante. O que diferencia a aprendizagem do/a estudante com nota 8,4 de outro/a com nota 8,6? A resposta é que não há diferença. Esse tipo de indicador tem uma única função, a classificação. 

Atualmente, fala-se muito do nosso momento histórico e da existência de uma crise na educação. Porém, o debate parece não avançar além das informações referenciadas pelos parâmetros de julgamento, estimando-se que o campo educativo deve cumprir determinadas funções sem considerar o pleno desenvolvimento humano.

Partindo desse pressuposto do “pleno desenvolvimento humano”, podemos considerar que nem todos os estudantes possuem as mesmas funções físicas cognitivas e físicas. Como tais diferenças são praticamente ignoradas, muitos acabam comparando injustamente o rendimento dos seus filhos com os colegas, pois percebem as diferenças no desenvolvimento de seu filho. Outros pais, por sua vez, preferem ignorar que o desânimo e a apatia do seu pequeno estejam relacionados ao desenvolvimento e simplesmente afirmam “meu filho  não gosta de estudar”

Aluno como um sujeito integrado

A educação orientada ao sujeito completo, é uma educação mais vasta, cujos significados atribuem-lhe prazer e envolvimento. O incentivo a integração de atividades relacionadas à filosofia, à arte e ao domínio do corpo, tal qual, a vivência em soluções de problemas do bairro ou da escola, tem importância nesse sentido.

O desenvolvimento humano é muito mais que o acesso à informação. O afeto e a segurança familiar são fundamentais para motivar a decisão de envolver-se com os estudos de maneira ativa. Talvez a pergunta certa não seja“por que meu filho não gosta de estudar?”, e sim “como instigar meu filho na busca pelo conhecimento?” 

A solução (desmedida) de um problema, cria outro problema, isto é, na maioria das vezes, quando tentamos conduzir o interesse dos filhos nos estudos, emprega-se uma preocupação excessiva com detalhes: regras, ordem, agendas, etc., o que faz com que a criança ou adolescente perca o mais importante da atividade: a descoberta, o aprendizado e a formação do conhecimento. 

Em vista disso, um bom caminho é buscar, além da importância de tirar boas notas, a relevância que a educação tem na vida da família. É natural que as crianças não consigam avistar os benefícios dos estudos em longo prazo, por isso, precisam da ajuda de familiares no desenvolvimento dessa perspectiva. 

O papel da família

Outro ponto ao qual a família deve se atentar é que estudar pode ser prazeroso sem deixar de ser uma tarefa árdua. Logo, podem existir obstáculos inerentes ao processo e muitas vezes, seu/sua filho/a pode resolvê-lo sozinho/a. Ainda assim, é importante a disponibilidade da família em ajudar, mas sempre respeitando o espaço do/a estudante.

Uma família presente na vida do/a filho/a conhece e reconhece bem as pequenas e grandes vitórias. Portanto, o reconhecimento dos avanços e incentivos adequados são igualmente bem-vindos e bastante eficazes no desenvolvimento do apreço pelos estudos.

Até a próxima…


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Referências:

MOREIRA, M. A.; MASINI, E. F. S. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Centauro, 2001.

PARO, V. H. Reprovação Escolar? Não, obrigado. São Paulo, dez. 2001. Disponível em:

http://www.vitorparo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/reprovacaoescolarnaoobrigado.pdf.

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