O que é o autismo

Alfabetização, autismo e educação inclusiva

Alfabetização, autismo e educação inclusiva

Entre o mundo real e o ideal

[…]Cada autista tem suas próprias peculiaridades, sendo necessário um acompanhamento multidisciplinar integrado com a escola. Ocorre que esta, de longe, é a realidade de muitas famílias brasileiras de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em idade escolar. Pois bem, entre o mundo real e o mundo ideal existe uma distância muito grande.

Processo de alfabetização de crianças com autismo

Neste contexto, o processo de alfabetização de uma criança típica (não autista-nosso acréscimo) é completamente diferente do processo de uma criança atípica (autista– nosso acréscimo), haja vista suas peculiaridades dentro do espectro. Somente os profissionais que possuem capacitação e um olhar treinado, baseado em evidências científicas, serão capazes de intervir na educação e tratamento de pessoas com autismo, por serem capazes de reconhecer tais peculiaridades e propor as adaptações necessárias para garantir o ensino-aprendizagem na escola regular.

Como dito, o ideal e o real nem sempre caminham juntos, este é o caso do Brasil. Mas, será que você sabe os princípios da educação inclusiva? Sabe por que não conseguimos aplicar o modelo de inclusão total? Sabe como se dá o modelo de integração entre métodos terapêuticos e metodologias de ensino na alfabetização? Como aplicar a metodologia ABA na escola?

Processo de alfabetização de crianças com autismo

Pois é, os professores do ensino regular, da educação básica e das outras etapas de ensino, também não sabem, pois isto não faz parte da formação acadêmica, tanto no ensino superior quanto no magistério. O professor não é uma máquina, nem uma fonte inesgotável de conhecimento, capaz de registrar e guardar informações por tempo indeterminado, muito menos precisa ter conhecimento de todas as técnicas de alfabetização para suprir peculiaridades de cada aluno.

Será que todos os professores da educação básica precisam ter formação em ABA, sistema Braille, ou língua de sinais?
Impossível!

Professores são heróis da educação, mas precisamos reconhecer que todos temos limites, e que não dá para imputar culpa àqueles que estão na base de sustentação do ensino!

Como garantir o ensino e a aprendizagem aos autistas?

Cabe lembrar, que nem todo autismo é leve, que nem toda família possui formação superior, que nem todo autista possui tratamento multidisciplinar, e que autismo não é romance! Ou seja, temos uma situação que precisa ser analisada por todos os aspectos, mas, se estamos falando de autistas, vamos reduzir esta discussão ao nosso universo, que é apenas nosso!

Se liga!

A Lei Berenice Piana, de 2012, que criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, e a nossa Constituição Federal, de 1988, garantem plenamente o direito de pessoas com autismo frequentarem a escola regular.

Esta lei Garante também a obtenção de diagnóstico precoce, tratamento multidisciplinar, acompanhante especializado na escola, Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) em contraturno escolar, entre outros direitos.

Tudo isso está no texto da lei, mas será que todos os autistas conseguem acessar esses direitos? Não! Logo, para cada autista na escola regular seria ideal um professor assistente, especialista em autismo, para garantir o processo de ensino-aprendizagem e o aproveitamento dos conhecimentos ministrados na sala de aula regular. Será que nós temos esses profissionais para todos os autistas em idade escolar? Não!

Ou seja, trata-se de uma conta simples: há mais autistas na escola do que profissionais capacitados para suprir as necessidades do processo educacional. Portanto, se a conta não fecha, então não serão todos os autistas a se alfabetizarem? Não!

Franklin Façanha

Existe uma metodologia ideal para a alfabetizar crianças com autismo?

Existe uma metodologia ideal para alfabetizar crianças com autismo?

Será que o erro está na forma de ensinar? Ou na metodologia de ensino? Nenhuma das perguntas possui uma resposta única, mas, em se tratando de alfabetização, são muito difundidas as metodologias que utilizam a psicogênese da escrita e a consciência fonológica para alfabetizar e letrar crianças. Isso significa que treinos de ligação fonética, que são aqueles que utilizam o: “/b/ com /a/, faz/ba/, /b/ com /é/, faz /bé/”, ainda são utilizados no ensino regular até hoje.

Precisamos pensar em mudar, se está dando certo? Pode dar certo para crianças típicas, mas nem sempre funciona para crianças atípicas.

Franklin Façanha

Um profissional especializado em autismo e alfabetização pode ser capaz de reconhecer e entender os motivos dos desvios na aprendizagem, fazer adaptações, quando necessárias, garantir o aprendizado da criança com autismo e colocá-la novamente no rumo do ensino regular. Logo, será que estamos preocupados com este processo de ensino-aprendizagem, ou apenas em colocar a criança na escola e esperar que algum milagre aconteça?

Faz sentido agora? Educação inclusiva não é colocar a criança com autismo no ensino regular e esperar que ela aprenda, apenas por estar naquele ambiente. É necessário um acompanhamento diferenciado, pois os autistas, em princípio, não possuem comprometimento cognitivo, e são tão capazes de aprender quanto qualquer criança. Mas, para isso, é preciso saber como ensinar a criança com autismo.

Assim, o trabalho integrado, multidisciplinar e individualizado com os autistas poderá contribuir com o processo de alfabetização e demais etapas do ensino regular, proporcionando o que as leis buscam garantir: a educação efetiva e inclusiva!

Busca a dica!

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Muitos pais percebem algum problema no processo de aprendizagem de seus filhos e notam que há algo errado. Meu filho é normal? Como identificar discrepâncias neste processo de assimilação? Leia esse texto e saiba mais sobre este e outros assuntos relacionados à educação.

Franklin Façanha

é professor universitário e consultor educacional, pesquisador em direito e educação inclusiva, advogado cível e empresarial, com master in law (LL.M) em direito corporativo, especializado em direito do consumidor, direito e processo civil, em docência e metodologia da pesquisa científica e em neuroeducação e especializado em informática educativa.

Referências

FAÇANHA, F. Alfabetização, autismo e educação inclusiva. Revista Autismo- Vol. VII, nº 13, ano 2021. Disponível em: https://www.canalautismo.com.br/. Acesso em: 07 de abr. de 2022.

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